Fui

12/01/2016 12:06

SUL DO BRASIL

01 de Janeiro de 2016

Acordei antes das 5 horas. Foram poucas horas de sono, pois na vespera fui ver com meu pai ver os fogos no Reveillon na praia do Flamengo. Minha mãe não quiz ir. Estava cansada e resolver dormir cedo para ir no primeiro dia do ano conosco até o aeroporto Santos Dummont.

Dormimos pouco e saimos cedo para pegar o avião as oito e meia da manha. A bicicleta havia ficado embalada na bolsa bike dentro do carro do meu pai no estacionamento rotativo. Fiquei um pouco apreensivo com isso. Mais tudo bem, não aconteceu nada. Ela continuava la no banco de tras pronta para a viagem. Alforges arrumados e partimos.

Check in rápido e excesso de bagagem. Mais 15 kg além do permitido. Paguei mais  R$140.  Depois fomo tomar um café e esperar a partida. Um dos alforges ficou comigo como bagagem de mão. 

Despedidas , abraços e beijos nas pessoas que mais amo nesse mundo.  No avião para São Paulo conheci um casal de Israel que me deu um mini livro escrito em Ebraico sobre cabala que é um sistema filosófico-religioso judaico de origem medieval. Disseram que era para dar sorte e eu guardei no alforge. Sorte é sempre bem vida. SImpática ação do casal. 

Fiz escala em São Paulo e peguei outro avião para Florianópolis. Chegando lá sempre aquela espectativa em receber as malas, e nesse caso os alforges e e a casa na bike. Olhando de longe a esteira rolante já avistava os alforges e bikes chegando. Apressei o passo e peguei um por um Coloquei no carrinho e segui até a entrada do aeroporto para montar a bike e seguir viagem até a casa do amigo cicloturista Fábio Almeida e familia que iria me receber.

A bike não foi muito bem tratada no transporte , a coroa grande havia amassado um pouco e também o bagageiro dianteiro. Mesmo com a proteção que fiz com plástico bolha e papelão nas partes mais sensíveis e o funcionário da GOL que havia colocada um adesivo na bolsa com  a frase "frágil" não  adiantou muito.

Um senhor chegou até mim curioso com a bike e os alforges. Ele estava esperando sua filha que morava no Rio de Janeiro. Me ajudou a montar a bike e a jogar alguns lixos na lixeira. Como presente dei a bolsa bike para ele. Afinal de contas era um peso a menos para ser transportado. Quase 1,5 kg.

Na saída a corrente estava saindo toda hora, tive que desamassar um pouco para seguir viagem. Nesse primeiro dia seria somente 12 kg. No final, ja chegando na casa de meu amigo uma ladeira enorme que me forçou sair da bike e ir empurrando. 

Ele estava sozinho, sua esposa e filho estávão na cada da sogra. Aproveitei para arrumar o bagageiro dianteiro, conseguindo um parafuso que permitiria ficar mais firme para o encaixe dos bagageiros. 

Depois conversamos e fomos almoçar na casa da sogra dele. Lá fui apresentado a sua simpática esposa , filho e sogra.  Depois voltamos para sua casa.

Lugar agradável. Com pouco barulho e o canto dos pássaros pela manhã.

 

02 de Janeiro

Saí com uma rota no GPS que o Fábio gravou. Foi só seguir para o Sul de Florianópolis. Lugar bonito. Aproveitei para tirar algumas fotos. Algumas ladeiras testaram a minhas pernas e a bike pela primeira vez, chuvia tabém. Chegando ao sul peguei um barco até a praia dos sonhos. Ficaria ali a noite em um camping para seguir viagem no dia seguinte. FIz compras e testei pela primeira vez a barraca.  Apesar de achá-la um pouco quente para o verão achei a zephyros 2 lite terra nova boa na chuva e com espaço para guardar os alforges, tênis. E o melhor pesando apenas 1.5kg.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

03 de Janeiro

Choveu a noite toda porém pela manhã parou. Pedalei os 61 km sem chuva. Antes de chegar a Garopaba parei em uma lanchonete que vendia   caldo de cana. Tomei um copo de quase meio litro . Nossa, foi o melhor caldo de cana de minha vida, acho que tinha limão e era batido e cremoso. Parei um pouco lá e conversei sobre minha viagem, para atenção do dono e seu amigo que acompanhavam o meu relato. Não satisfeito pedi outro copo de meio litro. Cheguei em Garopaba pedalando uns km pela areia e fui até o camping Lagomar.

04 de Janeiro

Chuva de madrugada, sai umas nove horas e logo  no início encontrei uma tijela de acaí. Era tudo que precisava.  No Rio tomava sempre açaí. Além de ser uma excelente refeição fornece muita energia e calorias. Ideal para um pedal longo como esse que estou fazendo .  Fui até laguna. Não choveu.  Esqueci de colocar filtro solar e colocar meu boné legionário( daqueles que cobrem a nuca , ouvido e tem viseira), usava somente o capacete e fiquei com o nariz ardendo no final do percurso do dia.  Chegando no camping um argentino que estava lá com sua esposa veio até a bicicleta. Eles estavam viajando Brasil e America do Sul em seu trailer a mais de 1 ano. E voltavam para o casamento de sua neta. Disse que se passasse perto da sua casa na argentina poderia ficar em sua casa. Almocei lentilha , atum e pão. 

05 de Janeiro

Tomando meu café da manhã chegou um gaúcho chamado Rafael. Era muchileiro e estava indo de onibus e apé. Saiu do Rio Grande do sul até Santa Catarina, tinha um mês para fazer a viagem. sem celular . Queria desapegar um pouco  do estresse e da tecnologia que estava acostumado onde vivia. Acabei oferecendo um pouco do suco e sandwiche que tinha sobrando. Conversamos um pouco e ele foi fazer se alojar e dar uma volta pela praia. 

Fui para Tubarão pela estrada de terra. Muito vento, calor e areia que fazia a bicicleta derrapar e as vezes caia.  Consegui um espaço bem no canto da estrada. A paisagem era linda e não havia quase carro. Cheguei na cidade sem saber onde ficar e encontrei uma barbearia diferente. Era uma barbearia e tatuadora na cidade. Conversei com os caras e me indicaram uma pensão. Fiquei um pouco ali usando o wi-fi deles e tomei uma coca-cola. 

Depois indo em direção a pensão parei em uma bicicletaria. O mecânico e a propietária eram muito simpáticos. Concerto de freio e marcha e não me cobraram nada. Depois fui para a pensão e descancei. Liguei pela primeira vez o notebook. Vi também que tinha uma pessoa da cidade que me aceitara no couchsurfing. Mais aí  já era tarde, tinha me hospedado. Na chegada da pensão disse que vinha de bicicleta e o funcionário me informou que a bike teria que ficar na garagem. Eu disse que era dobrável e ele permitiu levar para o quarto. Essa é uma das grandes vantagens de viajar de dobrável. Muito prática e não deixa a desejar para uma aro 26 MTB. Pelo menos essa que comprei e adaptei para fazer cicloturismo. 

06 de janeiro

Nada como um bom café da manhã de hotel. Daqueles com frutas, yogurte, pães, bolos, etc. As minhas células já estavam todas animadinhas antes da degustação no final ficaram cheias de energia. 

Pela primeira vez saí cedo. As oito horas já estava na  movimentada BR-101. Os caminhões e carros em ritmo alunidados e eu parecendo uma tartaruga ao lado deles. 

Depois dos quinze quilômetro iniciais estava meio tenso e o pescoço começou a doer. Alongamento para um lado e outro e nada. Então resolvi parar em uma lanchonete. Comprei café e biscoito com uma linda garçonete, conversamos um pouco e ela me perguntou se o que fazia era promessa ou se tinha me recuperado de uma doença e eu respondi, faço isso justamente para não ficar doente, por que amo a vida. E ela deve ter ficado pensando.Segui os 70 km até Cricíuma  

Havia um casal que havia oferecido lugar para ficar, era do warmshowers que para quem não conhece o site oferece estadia de graça na casa dos cicloturistas do mundo todo. Porém o casal só poderia a noite e eu iria chegar a cidade umas duas horas. 

Fiquei na casa de outra pessoa do Couchsurfing, o Ricieri. Ele era de Tubarão, cidade próxima a Cricíuma mais vivia lá. Tinha uma bonita casa com piscina. E não é que ele convidou para tomar banho na piscina de sua cobertura. Ele era engenheiro e fez uma reforma super estilosa em seu apartamento. Também era mochileiro e gostava de viajar. 

Mais tarde chegou sua bonita namorada e fizemos um churrasco. Depois deixei os dois e fui dormir. 

 

07 de Janeiro

Cedo Ricieri tinha que trabalhar e saí cedo de sua casa. Acabamos indo a pé a uma bicicletaria pois tinha que ver se eles tinham  uma corrente para trocar na bicicleta. Meu amigo continuou sua caminhada até o trabalho e nos despedimos. Fiquei aguardando abir a loja por mais meia hora. O atendente disse que tinha que trocar corrente e cassete e o serviço demorou um pouco a ser feito. Quando saí de lá minha outra amiga do couchsurfing me contactou. Era a próxima cidade que eu iria parar, porém ela iria resolver algumas coisas em Cricíuma e sugeriu a carona. Eu não gosto de ir de carona, ainda mais de carro. Não é o objetivo da viagem mais resolvi aceitar. Já era tarde e o sol estava muito quente. Além do mais já havia uma semana de pedal e um dia de descanço era bem vindo. 

Marcamos em frente ao bombeiro. A bike dobrada coube no banco traseiro junto com os alforges,mais um motivo de se viajar de dobrável, e segui com ela para ir a alguns bancos resolver  algumas pendências . Almoçei em um restaurante que ela costumava ir, Marta não almoçou já que  acabara de vir de um tratamento no dente e não podia mastigar. 

Depois seguimos para sua cidade, porém ela corria muito no carro e fiquei tenso. Muito mais tenso do que quando pedalava ao lado de caminhões e carros.  Mais no final chegamos bem. E ela me contando quando era bombeira e tinha que socorrer vitimas de acidentes de trânsito. Mais chegamos bem, ufa!!! rs

 

Fui muito bem recebido por sua família. Sua mãe, um amor de pessoa me recebeu como fosse seu filho. Disse que sentiu uma energia super boa em mim. Me senti bem a vontade. Seu marido gerenciava um bar na cidade de Balneário Silva enquanto os clientes jogavam cartas e Bocha (jogo praticado com diversas bolas grandes e uma pequena). 

Subi umas escadas e dencasei um pouco no cantinho que reservaram para eu dormir e ficar a vontade. E de lá havia uma linda vista para o campo de futebol. 

 

Havia tambem a filha de Marta, uma adolescente de 14 anos e quase um metro e oitenta de altura. Muito simpática. 

Elas me levaram para conhecer a cidade. No centro, o Prefeito ficava reunido com a polulação  e assistia a um jogo de futebol na quadra central. 

No retorno jantei com sua familia e fui dormir já quase uma hora da manha.

 

08 de Janeiro

Fui conhecer pela manhã mais um pouco a cidade. Com destaque para a plataforma de pesca de quase 450 km de estensão. 

Também o Morro Alto que mostrava uma linda vista da cidade. 

Voltamos para sua casa, almoçamos , nos despedimos e segui em frente já quase duas horas da tarde. 

O destino era Torres, já no Rio Grande do Sul. Tive que andar um pouco mais rápido e percorrer os 70 km antes de anoitecer.

Cheguei no limite, já era quase oito horas da noite e achei um camping chegando a cidade. 

 

09 de Janeiro

Não foi dessa vez que consegui sair cedo. Enquanto arrumava as coisas conversei com um artista uruguaio que estava acampado lá. Depois com um argentino que me deu conselhos e rotas a seguir quando chegar na Argentina. Já eram quase 11 horas da manhã, sorte que estava nublado.

Cheguei a Arroio Teixeira quase cinco horas da tarde. Ao chegar fui recebido por uns gaúchos que moravam no camping em umas casas que faziam parte do enorme camping. 

Arrumei a barraca, tomei banho e fui jantar. Estava cansado das noites mau dormidas dos dias anteriores. Acho que aos poucos irei acostumando a esses anos  de nômade. 

Era ainda oito horas da noite quando fui dormir. Acordei de madrugada e depois voltei a dormir. 

 

10 de Janeiro

Sai bem cedo e ao sair do camping o dono disse que não precisava pagar, pois havia muito espaço. Dei umas dicas para ele colocar um roteador e wifi. Segui até meio dia pedalando. Era do domingo e muitos carros na estrada que não tinha acostamento. Apesar disso os carros respeitavam, pois era frequente a passagem de ciclistas e de placas informando que cilistas passavam por ali. 

Parei na Tenda das Artes, um estabelicimento novo que vendia pão, salame, e havia shows a noite. O senhor e dua tia que estavam trabalhando lá diziam que tinha muitos planos para o novo local. 

Segui até Imbé, parei já na cidade e vi uma barraca vendendo abacaxi. Perguntei se poderia descascar na hora. O vendedor disse que sim, e eu comi inteiro um delicioso e médio abacaxi. 

Perguntei sobre o camping e ele me informou que era só virar a direita e seguir por alguns metros. 

Cheguei, conversei um pouco com os dois funcionarios. Uma moça que disse que tinha o desejo de viajar de bicicleta e um senhor que gostou da bicicleta e da aventura. Ganhei um desconto para o projeto. 

Carreguei o celular, almocei fiquei na barraca pensando se iria no dia seguinte direto para Porto Alegre ou parava antes. 

11 de Janeiro

Aos poucos vou ficando mais rápido na arrumação de tudo. Cada coisa em seu alforge especifico. E procuro já deixar quase tudo pronto antes de acordar. Ainda não tinha clareado o dia quando levantei da cama isolante térmico. Minha meta era chegar a Porto Alegre. Seria puxado. Mais de 120 km com a bike pesada e muito calor.  Sai as sete da manhã. No início o acostamento era muito ruim com muito buraco, pedra e a garrafa d´água até caiu uma vez. Depois dos 15 km iniciais as coisas começaram a melhorar. Parei para tomar um café com leite e comer um pão que havia comprado na Casa das Artes.  Pela BR 290 . Uma autoestrada muito boa. E ótimo acostamento. 

Comecei a escutar uma música e o rendimento melhorou ainda mais. Pelo menos não ficava escutando aquele barulho de carros e caminhões passando ao meu lado. 

Porém a estrada tinha uma coisa de ruim. Quase nenhum lugar para parar e comprar aguá ou fazer um lanche. Por volta de meio dia meu lanche e agua aviam terminado. E olha que levei mais de 2 litros d´água. 

Continuei e vi uma placa indicando 5 km para um posto BR para reabastecer. Só que não me liguei , e a informação não era precisa que tinha que entrar a direita em direção a outra cidade e acabei seguindo em frete. Fiquei um pouco tonto pois o termômetro marcavam 42 graus. E não havia uma sombra para parar e descansar. Diminui o ritmo e segui na marcha leve. Escutando a música e pensando que aquilo seria um treino para o deserto do atacama que pretendo fazer em breve.

Já faltando 25 km para chegar em Porto Alegre enfim um posto de abastecimento, também entrando a direita em direção a outra cidade. 

Parei fiz um lanche, reabasteci com água. Conversei com os frentistas pelo melhor caminho a seguir até chegar a Porto Alegre e continuei.

Chegando perto liguei adicionei no google maps o endereço de minha amiga e ia olhando as vezes. Colocava no bolso o smartphone e de tempo em tempo ia olhando.  Destino casa de uma amiga que conheci do CouchSurfing.

Porto Alegre era uma cidade grande e o trãnsito e a furia dos carros nas ruas era conhecida por mim e por todos que vivem em grandes cidades. Eu já estava aostumado com o Rio de Janeiro, São Paulo , onde minha irmã morava e eu ia as vezes fazer-lhe uma visita. 

Porto Alegre me pareceu São Paulo, porém menos catótica e menos trânsito. Um lugar em que as pessoas usavam os parques para tudo.

Karine me recebeu super bem. Ela era uma bonita morena gaúcha , Psicologa que adorava viajar e receber as pessoas do couchsurfing em sua casa. 

Fiquei a vontade em sua casa. E como havia que trabalhar fiquei lá em companhia  das suas duas cadelas. Aproveitei para lavar a roupa suja, recarregar os gadgets e finalmente escrever o blog que estava no papel. 

Dia seguinte fomos ao parque. Agora entendo porque os gaúchos ficam doidos quando vão ao Rio ou outra praia. No parque da cidade encontra-se de tudo. Gente correndo, outros jogando voley, passeando com cachorro, meditando e etc. Isso em um parque que é umas dez vezes ou mais menor do que o Parque do Flamengo no Rio, considerado o maior parque urbano do mundo e projetado por Burle Marx.

 

12 de Janeiro

Aproveitei o dia para lavar roupa , fazer backup de fotos e atualização de blog. E descansar o corpo é claro. Depois fui a praça com Karine levar as cachorros. E no final vimos um filme no netflix.

13 de Janeiro

Fui almoçar com a Amiga da Karine e lá chegando ela estava com mais dois amigos, dois jovens, uma menina e um menino estudantes. A menina cantava em apresentações e o menino não disse o que fazia.  Já a noite encrementei a pizza que havia comprado e fiz mate. Jantei com Karine.

14 de Janeiro

Fui a Novo Hamburgo de Trêm na casa de meu amigo Leandro que a alguns anos atrás fez um mestrado comigo em Portugal. Ele agora tinha um estúdio de Pilates com uma sócia. Fomos almoçar e conversar um pouco. Achei a cidade bem bonita com a sua arquitetura Européia e com poucas pessoas nas ruas. 

Voltei depois do almoço e fui encontrar com Jurema, a amiga da Karine. Ela iria me levar para conhecer um pouco Porto Alegre. Fomos ao centro. Visita ao mercado popular com muitas coisas locais, como uma casa gaúcha que vendia coisas típicas como chimarrão, erva mate e etc.  E depois fomos tomar um sorvete que de tão grande as bolas escorria pela vasilha. 

Visitamos a casa de cultura do poeta Mário Quintana, um ex hotel onde ele morou. 

Depois conhecemos a Usina do Gasômetro que de 1926 a 1974 fornecia energia a carvão a iluminação de Porto Alegre e também o bonde elétrico. 

Depois na volta fomos encontrar a Karine e sua outra amiga, também professora de educação física em um bar tradicional da cidade. Conversamos, tomamos só uma cerveja. Sua amiga nós deu carona até a sua casa.

Existem lugares e pessoas que é mais difícil deixar na viagem e Karine e sua casa foi uma delas. 

15 de Janeiro

Acordei cedo, tomei um banho gelado e terminei de arrumar as coisas. Para  mim é a pior parte da viagem ter que arrumar tudo nos alforges.  Tomei café da manhã, uma tapioca que já havia muito tempo que não comia.

Não gosto de despedidas, e abracei forte Karine, os óculos escuros disfarçavam os olhos cheio d´água.  Confesso que gostaria de ter conhecido um pouco mais a essa mulher tão especial, mais devido ao seu trabalho não deu para fazer muita coisa. Tudo bem, é a vida. E novamente eu na estrada e o pedal, que cura tudo, uma espécie de terapia.rs

Foi bom ter conhecido Porto Alegre, mesmo tendo que pedalar mais um pouco para ter que voltar para o litoral. 

Em Àguas Claras conheci um morador que estava de moto com sua filha criança, eu ia parar em uma lanchonete e comprar algumas coisas e esperar um pouco o sol passar. Perguntei a ele quantos kilõmetro seria até a próxima cidade e  ele me convidou para almoçar com a sua família em um sítio perto, pedindo que eu o seguisse. Foi engraçado, eu com a bicicleta toda carregada seguindo uma moto. Parecia a formiga apostando corrida com o guepardo. De tempo em tempo ele me esperava lá na frente e perguntou se eu não queria segurar na moto para ele acelerar. Eu disso que tinha medo de cair e seguimos até o sítio. 

Lá encontráva sua esposa, o pai e a mãe dela. Também tinha um papagaio que sismou de bicar meu tênis, além de 2 cachorros e uns passarinhos. Almoçamos e depois ele me ofereceu a rede para descansar. Depois ele foi trabalhar de moto com sua esposa e eu na rede com seu sogro e sogra ali com aquele estranho. Parecia que eu já fazia parte da famíia. Foi legal. Eles todos moravam em Porto Alegre e nos finais de semana e férias iam para lá. A 30 km de Porto Alegre.

 

Segui para Capivari do Sul, em seguida o pneu furou . O acostamento era muito ruim.

Chegando na cidade perguntei para um senhor tomando chimarrão onde eu poderia acampar e ele me indicou o parque rodeio que estava tendo uma festa de rodeio.  Os peões(que eram quem montavam nos cavalos e laçavam em uma arena um boi correndo) me viram e perguntaram de onde eu vinha, eu disse e eles me convidaram para acampar ali e comer um churrasco de ovelha com eles.  Diversos peões com mulheres, filhos, namoradas ficavam em um parque. Cada familia e amigos no seu canto, era um final de semana de festival. Eu chagara em uma sexta feira e iria embora em um sábado e eles ficariam até domingo. Diziam que muitos torneios davam de premiação até um carro mais para eles o mais importante era a reunião com amigos e familia naquele momento.

Comemos o churrasco e fui dormir cedo e a festa rolou solta até o amanhecer. Quase até eu acordar.

16 de Janeiro

Tomei café de manhã com os peões e saí grato por tudo. A bike estava esquisita, um raio estava meio folgado e esvaziava a câmara de ar. Tive que andar de 2 em 2km e encher um pouco o pneu.  Cheguei a um posto de gasolina e ao lado havia uma borracharia. O mecânico apertou alguns raios. Pensei que tinha resolvido mais logo em seguida o mesmo problema. 

Acampei no camping Lagoa Azul. Tive que empurrar a bike por 5km pelo paralelepípedo.  O camping estava cheio mais tinha muito espaço. Escolhi um espaço perto do banheiro. 

Montei meu acampamento e depois tentei arrumar o raio, acabei tirando o raio.  Um gaúcho que estava acampado com sua família perguntou de onde eu vim com aquela biciletinha, levou um susto quando eu disse Rio de Janeiro. Depois me ofereceu um sandwiche com varios tipos de carne. Fiz macarrão e deixei para o dia seguinte. 

17 de Janeiro

Acordei cedo depois de uma boa noite de descanso. Comi uma maça e saí para uns 100 metros  depois parar em um mercado para comprar algum mantimento para levar.  Também comprei outro filtro solar que havia acabado. 

Segui para Maresias. Tinha 80 km pela frente rezando para que a não desse problema no pneu. E não é que rendeu bem. fiz 50km até antes das 13hs. A estrada com poucos carros e muita natureza para apreciar. Parei em um posto. Em seguida em uma casinha de madeira, que acho que foi construída para os moradores locais se protegerem enquanto aguardam onibus, que nessas cidades  deve demorar muito para passar. 

Parei para almoçar por ali mesmo o macarrão que havia feito no dia anterior.  Esperei os 40 graus passar.  Segui até Mostardas e fiquei em um camping vazio, mais com uma vista deslumbrante, depois vi o Pôr do sol e tirei umas fotos. 

18 de dezembro

Acordei, levei a bike até a casa de uma pessoa que trabalhava com conserto de bikes e deixei ela lá. Disse que estava atarefado. Depois fui ao mercado e levei alguma coisa para tomar o café na manhã no camping. Depois voltei para buscar a bike. 

Quando voltei, acabei almoçando também no camping e esperando o calor passar para sair. Isso já era quase 15 horas quando saí e mesmo assim peguei 40 graus no trajeto todo. Nessa temperatura o corpo não funciona direito, e luta frequentemente para se esfriar, já que nossa temperatura corporal não pode passar de 36 graus. 

Cheguei na cidade de Tavares e não consegui onde ficar. A bike estava também com o pneu vazio e acabei gastando um pouco mais , porém chorando um desconto no hotel parque. Mais uma vez eu tentando consertar a roda. Já nesse caso retirar o raio que havia colocado em mostardas e que não havia dado certo. Alguns hospedes vieram falar comigo e converamos. Um deles também gostava bastante de praticar esporte e andava de skate em ladeiras a quase 100km por hora e surfava em grandes ondas. 

Depois aproitei para ligar o computador pela segunda vez na viagem, aproveitando o wifi do hotel. 

19 de Janeiro

Acordei e ainda estava escuro. Fui ver se o café da manhã de hotel ja estava pronto. Tudo fechado. E esperei um pouco. Depois voltei par tomar aquele café da manhã maravilhoso com bolo, suco, pão, queijo, frutas, geléia.  Saí de lá bem alimentado. Ao iniciar o pedal a roda estava prendendo. TIrei tudo da bike e vi que eu não tinha encaixado a roda direito.  Desfeito o susto arrumei tudo e parti.  Foram quase 60 km até Bojuru. 

A estrada, com sua natureza, bois e vacas pastando e cavalos. Poucas casas. 

Faltando 10 km novamente o pneu furou. Segui e cheguei na cidade cedo. Comercio fechado . Parecia aquele seriado. O mundo sem ninguem. Fiquei ali pensando um pouco em o que fazer e fui em direção a um restaurante que havia um pequeno movimento. Alí conheci o seu Santos e recebi um almoço de graça depois de contar de onde estava vindo. Depois acampei atrás da igreja.

Fiquei ali conversando com as crianças. 

 

20 de Janeiro

Segui para São José do Norte. Eram 77 km até a balsa. Sete da manhã já estava pedalando e fui até a cidade de Estreito onde parei em um bar para tomar uma coca-cola e comer algo. Conversei com a vendedora e segui. Cheguei a São José do Norte. Peguei a balsa junto com caminhões, carros, cavalos, bicicletas, motos e pessoas. E a balsa calmamente sem se imortar com aquele peso todo seguiu durante 30 minutos a Rio Grande.

Quando desci já senti a atmosfera diferente. Um clima meio pesado, pessoas me olhavam como se eu fosse um E.T. 

Muitos carros enfurecidos, caminhões, fábricas e estresse. Eu já estava mau acostumado de pedalar por alguns dias naquelas estradas vazias e com muito verde. Segui assim por uns 10km até aparecer uma areia dura e comecei a pedalar lá. Parecia até Ilha comprida-SP que pedalei com Margot por 70km na areia.

Ali já fazia parte do Cassino, que era onde os gaúcos iam passar ferias, assim como uruguaios, argentinos. 

Algumas horas antes um cicloturistas que havia me seguido pelo facebook e que a uns dias atrás perguntava se eu iria passar pelo Rio Grande  me contactou pelo messenger. 

Então estasva indo em direção aonde ele morava. Foi incrível pois até algumas horas atrás eu nem sabia onde ficar.  Passei por aquelas areia dura que me diziam que tinha mais de 200 km e se extendia até o Uruguai. 

FIquei até animado em fazer o percurso por ela e não pela BR101. Saí da praia e  parei na rua Rio de Janeiro.  Depois enviei um whatsapp para meu amigo e marquei de encontrar com ele alguns metros dali. 

Nisso outro cicoturista local veio até mim e conversamos. Depois chegou William. Fomos até a sua casa onde fui apresentado a seu pai e logo a sua mãe.

Ele também havia me questionado sobre essa vida louca que vivemos hoje em dia nas cidades maiores e me disse que gostaria de fazer uma viagem grande. Ele trabalhava como segurança em um banco e tinha trancado o curso de psicologia. 

Também desenhava e fazia ótimos retratos. 

Depois fomos dar uma volta na cidade de bonitas mulheres com traços exóticos e com short pequeno mostrando uma bonita abundância que até o momento eu não conhecia nas gaúchas. 

 

21 de Janeiro

Fiquei praticamente o dia todo na casa que meu amigo William havia deixado para eu ficar. Seus pais moravam no andar de cima e a casa que eu estava era para alugar. Então fiquei lá sossegado aproveitando para atualizar fotos e blog também. 

Deixei a bicicleta na loja local para trocar os raios traseiros por uns mais grossos e resistentes.  O serviço só ficava pronto no dia seguinte e aproveitei para conhecer um pouco mais a cidade. 

A noite William me convidou para sair com amigos e amigas. Tomei uma cerveja e fomos a uma festa que estava tocando samba. Estava e outro rítimo e não fiquei até muito tarde. Voltei mais cedo e meus amigos permaneceram.

22 de Janeiro

Fui buscar a bicicleta já passava das 11 horas. Estava decidido a continuar a viagem naquele dia pela praia. Porém passei no caixa eletrónica e consegui bloquear o cartão com três tentativas erradas. Não sei porque as vezes dá um branco e esquecemos a senha.  TIve que ir até o centro de Rio Grande ao banco Itaú desbloquear. Foi fácil a ida de ônibus e em 30 minutos estava lá. Na saída do banco comi por ali mesmo. Um selfservice a R$10. 

Na volta arrumei as coisas e saí de Rio Grande por volta de 15 horas.  Peguei a areia dura na companhia de mais alguns km por william que foi em sua bike por uns 10 km. O vento estava a favor e nos ajudava. Passavamos pelos banhistas para olhares espantados e curiosos daquela pequenina bike cheio de coisas. Acabei esquecendo o carregador do celular em sua casa. Agora só me restava carregar por USB. Já era o segundo carregador que havia esquecido. Um outro havia deixado no camping no Rio Grande do Sul. 

Levei muita água. Tinha uma bolsa da MSR de 10 litros mais duas garrafas. Seriam ao todo 220 km na areia. Pensava em fazer de 3 a 4 dias. 

Pedale uns 30 km até umas 19 horas e nesse exato momento passou por mim um motoqueiro com um cachorro. Me informou que tinha uma casa abandonada a uns 500 metro a frente. Mais um anjo que sempre aparece nos momentos mais difíceis. Saquei logo e decidir passar a noite ali. 

Tive que passar por umas dunas que me exigiu muito esforço físico. A casinha estáva fechada com um arame. O motoqueiro disse que ela era frequente usada nos finais de semana para acampar. Estava alí para isso. Dentro não tinha banheiro só 2 sofás, uma pia um chão de madeira e um espaço de areia, que deu certinho para colocar a barraca.  Fiz uma comida e tentei dormir. 

Não consegui dormir muito bem. Imaginava que a qualquer momento alguém iria entrar ali ou algum animal.  Mais era quase impossível pois se tratava de um local isolado na areia de frente para umas energias eólicas. 

 

23 de Janeiro

Acordei antes da luz do sol com alguns barulhos. Espiei pela barraca e eram alguns sapos.  Levantei e fui arrumar as coisas. Aproveitei para tirar fotos do nascer do sol. 

Muita dificuldade para empurrar de volta para a beira do mar a bike. Umas dunas e areia mole até la. Percebi que o pneu estava um pouco vazio e enchi.

No início estava pedalando bem, mais logo o vento que no dia anterior era a favor se agora estava contra.  E também alguns trechos que a areia se tornava mole o que vazia a bicicleta derrapar e eu acabava caindo e as vezes tinha que empurrar. 

Em um certo momento me emocionei e comecei a chorar. Pensava na minha familia, pai, mãe, cecilia e Margot. 

Tomei um banho de mar com ropa e tudo para refrescar e logo em seguida parei para almoçar. Tinha feito arroz para dois dias no dia anterior. Comi com salame e sardinha e queijo ralado que ainda tinha. 

Pedalava como um nômade do deserto, todo coberto para proteção solar.  Pois não havia nenhuma sombra e só o protetor solar não adiantava. Não gostava de ficar por muitas horas com o sol na pele. O vento quando se pedala acaba batendo na roupa e refrescando. Não sentindo muito calor. 

Depois de umas 12 horas pedalando, cerca de 80 km e chegar no Farol Abandonado estava cansado. Não dava mais para seguir. Encontrei um casal do vilarejo próximo chamado Hermenogildo a 100 km de onde estava. Eles estavam pescando ali e foram de carro 4x4 pela areia até ali. 

Ao todo pedalei por 100 km.

Me indicaram atrás das dunas para acampar, mais pensei bem e não fiquei muito animado. Sugeriram me dar uma carona até ao camping em Hermenegildo. Achei a melhor opção. Fui com eles depois de colocar a bike  dobrada atrás na grande caçamba que havia. 

O carro corria muito na areia eu olhava para trás e a bike pulava em cada buraco. Já estava vendo ela pular pelos ares e cair na areia.  Certo momento a garrafinha que estava presa na bike caiu e dei sorte que vi na hora. Voltamos um pouco e pegamos. 

Parecia que estavamos em outro planeta. Cada vez mudava a cor da areia e foram assim por uns 80 km. Uma aventura inesquecível.

Parei no camping assustado e agradeci a eles, que me desejaram boa viagem.

Fiquei no Camping Pachuca do Sr. Volnei e sua familia.  Conheci um casal de jovens uruguaios  musicos que viajava de carona e a pé pelo segundo dia. Seu destino era Rio de Janeiro. 

Também havia outro casal de uruguaios que viajava de Van. Na van se encontrava a cama. 

24 de Janeiro

Lavei roupa e decidi tirar o dia de descanso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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